Happiness.Documentary

Olá! Este é o blog oficial de divulgação do documentário que estou fazendo: #HappinessDocumentary e outras divulgações de meu interesse.
Eu já tinha este blog desde 2008. Apenas mudei o nome para o nome do documentário e mantive as publicações anteriores para que as pessoas possam me conhecer um pouco mais.

terça-feira, junho 28, 2016

Jornalistas são processados por divulgarem altos salários dos juízes


Gazeta do Povo, em Curitiba, denunciou que o rendimento médio dos juízes e promotores superava o teto constitucional do funcionalismo público, de mais de R$ 30 mil.
Foi bastante divulgada a notícia da denúncia dos salários dos juízes e o fato deles não terem gostado, ao ponto de processarem os jornalistas que divulgaram. O que foi pouco divulgado foi que os jornalistas pegaram os salários dos juízes do próprio Portal de Transparência do órgão. Outro fato que as pessoas esquecem é que salário de funcionário público, como o nome diz, é público, tem que ser divulgado nos portais de transparência dos órgãos. Existe uma Lei Federal que determina isto.
Juízes e promotores moveram várias ações contra três repórteres e outros dois profissionais do jornal Gazeta do Povo, do Paraná, após a publicação de reportagem sobre os vencimentos dos magistrados e representantes do Ministério Público.
A reportagem, publicada em fevereiro, mostrava que, somadas as gratificações, o rendimento médio dos juízes e promotores superava o teto constitucional do funcionalismo público, de mais de R$ 30 mil. "Essas ações adicionais só mostram que tem mais alguns juízes que não conseguem entender que a função que eles exercem é pública, e que a remuneração deles faz parte de um debate público necessário", disse o diretor de redação do jornal, Leonardo Mendes Júnior.
As ações judiciais foram alvo de notas de repúdio da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), cujos dirigentes denunciaram o "assédio judicial" na sexta-feira passada, no 29.º Congresso Mundial dos Jornalistas, em Angers, na França.
Acontece que o “feitiço virou contra o feiticeiro” e esta semana o presidente da ONG Transparência Internacional, José Carlos Ugaz, esteve no Brasil, visitando o juiz Sérgio Moro, para dar apoio às ações da Lava Jato, e também dar apoio aos jornalistas e ao jornal Gazeta do Povo e prestou solidariedade aos jornalistas e disse que a Transparência Internacional irá denunciar o caso.
Infelizmente pouca gente se interessa em acompanhar notícias sobre os gastos públicos, sobre o que é feito com nosso dinheiro, mas a Câmara dos Deputados deve votar nas próximas semanas um projeto de lei do governo federal que pretende regulamentar o teto dos servidores públicos, na tentativa de impedir que gratificações, benefícios e outros “penduricalhos” façam com que o salário de funcionários públicos fique acima do determinado pela Constituição. Hoje, há diversos exemplos de servidores que ganham remuneração acima da dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) graças a manobras contábeis.
A inclusão do Fundo de Participação dos Estados (FPE) na base de cálculo da divisão dos recursos entre os poderes do estado garantiu disponibilidade de recursos para o pagamento dos altos vencimentos de magistrados, procuradores e promotores. Desde 2011, as receitas do FPE são incluídas no bolo a ser distribuído. Em 2015, isso representou R$ 428 milhões a mais para o Tribunal de Justiça (TJ), o Ministério Público (MP), o Tribunal de Contas (TC) e a Assembleia – e, logicamente, R$ 428 milhões a menos para o governo.
Em três de junho deste ano a Revista Epoca também publicou uma matéria bastante elucidativa, cujo título é: “Marajás do judiciário: "legalidades" com $$ da república”. Fica a dica para quem quiser ler e formar uma opinião... (Clara Santos)


quinta-feira, junho 23, 2016

Políticos e servidores públicos não são donos dos órgãos públicos

EDITORIAL

Passei por uma situação hoje (quarta, 22/6/16) que me fez querer escrever este editorial. Fui cobrir um evento e ficou nítido, pela forma como fui tratada, que eu não era bem vinda no local, diga-se de passagem, um local público, mantida por verba pública, até onde eu sei.
Então, achei importante esclarecer algumas coisas. Caros leitores e leitoras, políticos e servidores públicos não são donos das escolas, das praças públicas, das prefeituras, câmaras, hospitais públicos, enfim, dos órgãos públicos. Como o nome diz, são públicos, são para o povo, mantidos por verba pública (numerário consignado no orçamento para serviço ou fim de interesse coletivo).
Órgão público é uma unidade com atribuição específica dentro da organização do Estado. É composto por agentes públicos que dirigem e compõem o órgão, voltado para o cumprimento de uma atividade estatal.
Os políticos eleitos, vereadores, prefeitos, governadores, senadores, deputados e presidente, são funcionários públicos? Sim, mas são cargos eletivos e temporários que não estão sujeitos aos estatutos do funcionalismo público, e, portanto, não têm os direitos e deveres dos funcionários públicos efetivos.
O cargo público não deve ser apropriado por um político ou autoridade para que a partir daí beneficie aqueles que por amizade ou ideologia política lhe agradem.
Todos que trabalham para o ente público são Agentes Públicos. Os agentes públicos podem ser Agentes Políticos ou Agentes Administrativos.
Agentes Políticos - São, por exemplo, Presidente da República, Governador, Prefeitos, Senadores, Deputados (federais, estaduais e distritais), Vereador, Ministros de Estado, Secretários Estaduais e Municipias, Promotores de Justiça, Juízes, etc.
Agentes Administrativos - São os "funcionários públicos", ou seja os "servidores públicos" e os "empregados públicos".
Em maio deste ano o site Spotniks publicou uma detalhada reportagem sobre o custo de um político no Brasil. O texto, assinado por Leônidas Villeneuve, destaca que hoje há mais de 64 mil políticos democraticamente eleitos no Brasil, pagos com o dinheiro do seu, do meu, do nosso imposto. Fica a dica de uma excelente reportagem para ser lida: http://spotniks.com/

Por fim, a liberdade de imprensa é tida como positiva porque incentiva a difusão de múltiplos pontos de vista, incentivando o debate e por aumentar o acesso à informação e promover a troca de ideias de forma a reduzir e prevenir tensões e conflitos (e não o contrário). 

sexta-feira, junho 10, 2016

Você sabia que suas ações podem influenciar o mundo inteiro?

Adotar práticas sustentáveis tais como dar preferência a produtos ecologicamente corretos, reciclar, evitar desperdícios, adotar o consumo consciente, não usar marcas testadas em animais, não jogar lixo nas ruas, reutilizar água da máquina de lavar roupas, água da chuva e plantar mais árvores são apenas alguns dos exemplos de atitudes que podemos tomar, individualmente, que causam impacto no mundo inteiro.
Mais do que diminuir a conta no final do mês, economizar energia elétrica reduz o consumo de água nas usinas hidrelétricas. Demorar menos no banho, desligar o chuveiro na hora que estiver se ensaboando, verficar se as torneiras estão bem fechadas e não lavar calçadas também são procedimentos importantes.
Alguns produtos ecologicamente corretos podem ser identificados pelo selo de certificação ISO ou outras identificações com relação à procedência,, mas no Brasil são poucos, principalmente os transgênicos, e a população ainda não adotou o hábito de verificar se o produto tem esse certificado ou não.
No Brasil nem mesmo a reciclagem de lixo é um hábito muito difundido e fica difícil cobrar atitudes deste tipo quando em muitas cidades ainda existem esgotos a céu aberto, crianças sem frequentar a escola, escolas em condições precárias, desemprego elevado e por aí vai...
Mas algumas transformações não dependem de dinheiro e sim de boa vontade. Um mundo melhor começa com um "eu" melhor. Nenhuma mudança verdadeira acontece de fora para dentro, mas de dentro para fora. Quer um mundo melhor? Seja uma pessoa melhor.  Como? Eu arriscaria dizer com mais amor, mas como diz a música: ‘cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Faça uma autoanálise e tente descobrir por onde você poderia começar uma mudança, pergunte a si mesmo se você trata o mundo e as pessoas da forma como gosta de ser tratado. Já é um começo. (Clara Santos)


sexta-feira, junho 03, 2016

Semana do Meio Ambiente


Estamos na Semana do Meio Ambiente e em cada estado, cada cidade, município as escolas desenvolvem atividades diferenciadas para celebrar a data. O meio ambiente é um tema inserido na educação brasileira já há algum tempo e eu percebo a diferença nas gerações “politicamente corretas”. Mas também percebo que há um longo caminho a ser percorrido para mudar a cabeça dos adultos porque são eles que mais poluem, mais destroem nosso planeta.
A educação ambiental é fundamental para uma conscientização das pessoas em relação ao mundo em que vivem para que possam ter cada vez mais qualidade de vida sem desrespeitar o meio ambiente. O maior objetivo é tentar criar uma nova mentalidade com relação a como usufruir dos recursos oferecidos pela natureza, criando assim um novo modelo de comportamento, buscando um equilíbrio entre o homem e o ambiente.
Temas como aquecimento global, degelo das calotas polares, reciclagem, calor e frio em excesso, água em falta vem ocupando mais e mais espaço na mídia e nas discussões em escolas, universidades, ONGs, ambientes de trabalho etc. A palavra de ordem é diminuir os impactos negativos do ser humano sobre o mundo. Como? Mudando atitudes pessoais e coletivas para salvar o mundo da ameaça (cada vez mais real) de colapso, por meio de pequenas atitudes.
Assim como outros temas abordados nas escolas, o meio ambiente também deve ser ensinado de acordo com a realidade das crianças e do local onde elas estão inseridas.
O primeiro passo para trabalhar bem a Educação Ambiental é criar, na escola, um ambiente capaz de envolver os professores de todas as disciplinas e não só os de Ciências e Geografia, que normalmente trazem as questões ambientais à tona, e também a comunidade, a família, afinal, o meio ambiente está por toda parte, na área urbana e rural, dentro e fora das nossas casas, da escola, do trabalho.
“Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo” (Gandhi)
Segue sugestão de link para professores, principalmente, conhecerem e compartilharem meio ambiente e sustentabilidade: http://revistaescola.abril.com.br/meio-ambiente/

(Clara Santos)

quarta-feira, junho 01, 2016

A cultura do estupro é a expressão mais radical da cultura da superioridade


Júpiter, o mais poderoso dos Deuses romanos, toma a forma de um touro branco e convence a princesa Europa, por quem estava apaixonado, a monta-lo. Quando ela o faz, ele foge para a ilha de Creta, onde a estupra. O quadro é de Titian (Tiziano Vecellio), pintor veneziano do século 16.
Ninguém educa um filho para ser um estuprador, mas criamos meninos imbuídos de um sentimento de superioridade em relação às mulheres
Este é um texto especial da editora Vivian Alt em decorrência do recente caso de uma jovem violentada por um grupo de homens na cidade do Rio de Janeiro. Embora seja um tema fora do perfil editorial do site, o Politike sente a necessidade de debater o assunto com seus leitores.  
Imagem: Júpiter, o mais poderoso dos Deuses romanos, toma a forma de um touro branco e convence a princesa Europa, por quem estava apaixonado, a monta-lo. Quando ela o faz, ele foge para a ilha de Creta, onde a estupra. O quadro é de Titian (Tiziano Vecellio), pintor veneziano do século 16.
Há quase uma semana, falamos intensamente sobre a “cultura do estupro”, que contribuiu para uma brutalidade cometida contra uma menina de 16 anos na cidade do Rio de Janeiro. Essa mesma cultura deixou os criminosos que a estupraram coletivamente confortáveis o bastante para publicarem fotos e um vídeo do crime em uma rede social. Essa cultura também permitiu que amigos desses indivíduos ridicularizassem a vítima ao comentarem as imagens.
Foi necessário que essas imagens grotescas parassem na internet para que um movimento de revolta ocorresse, levando à discussão da “cultura do estupro”.  Mas o que significa, na realidade, essa cultura do estupro?
A maioria dos comentários, textos, artigos e postagens em mídias sociais fala sobre uma cultura que pune as vítimas enquanto os perpetradores são isentados ou desculpados por diferentes motivos. Existe, contudo, muita coisa por trás da cultura do estupro. Discutimos sobre a necessidade de educar as meninas para que não “provoquem” um estupro e de educar os meninos para não estuprarem. Ninguém ensina meninos a estuprar, mas os ensinamos a sentirem-se superiores. Mesmo que involuntariamente, as famílias e a sociedade mostram diariamente aos meninos e homens que eles estão em vantagem na vida. Que são superiores.
Os atos cotidianos são tão pequenos e sutis que é difícil perceber como contribuímos para a cultura da superioridade – e, finalmente, do estupro. Tudo começa em casa. No café da manhã, no almoço, no jantar, ou no churrasco, com aquela piadinha machista tão sem maldade do papai, do titio, dos amigos da família. E aquela clássica frase no trânsito: tinha que ser mulher! Quem não ouviu? Não é grosseiro, não é maldoso. É sutil, mas existe. E em muitas famílias (quiçá na maioria) ocorre com frequência. Na televisão, em quase toda a programação dos canais abertos temos referência à mulher como objeto: comercial de cerveja, novelas com os clássicos estereótipos, programas de auditórios (a Banheira do Gugu e as dançarinas do Faustão são exemplos famosos), entre outros. Também se tem a reprodução do ideal da mulher: nos comerciais de produtos de limpeza ou cozinha, cuidando das crianças, sendo bela, recatada e do lar.
Enquanto crescemos, ouvimos nossos pais censurarem nossas roupas e nossos corpos, mesmo que não de forma bruta. Um “zelo”, um cuidado de quem não quer ver sua filha ser vítima de violência. Para os meninos, a preocupação é muito menor. Antes de saírem de casa, as meninas ouvem diversos conselhos: cuidado com quem você conversa, preste atenção na hora de comprar bebida para ver se não colocaram nada dentro, não fique sozinha em lugares isolados, não pegue táxi sem ser da cooperativa, etc. Em países como Índia e China, por exemplo, vai-se além. Em ambos os países, é proibido saber o sexo do bebê antes do nascimento para evitar abortos de meninas. Na Índia, há inúmeros casos de desnutrição entres meninas, uma vez que famílias de menor renda tendem a priorizar a alimentação de meninos.
Os meninos crescem nesse mundo. No Brasil, eles veem e ouvem tudo isso a vida inteira – da piada aos conselhos, dos comerciais aos programas de TV. E é inevitável perceberem que têm menos restrições e menos dificuldades. Nasce, assim, um sentimento de superioridade. Claro que muitos não veem essas vantagens e privilégios como superioridade inerente, mas sim como uma construção injusta da sociedade. Há outros que se entendem superiores e, embora não pratiquem violência contra mulheres, não contestam quando outros (conhecidos ou não) cometem tais crimes.
E sempre existirão aqueles que levam a cultura da superioridade ao extremo. E esse extremo chama-se violência, estupro. Ninguém educa um filho para ser estuprador, mas criamos meninos imbuídos de um sentimento de superioridade. Não atentamos para aquilo que cotidianamente pode transforma-los em pessoas que praticam ou compactuam com a violência contra a mulher. Esses detalhes do dia a dia também reforçam nosso hábito de culpar a vítima: a saia curta, o batom vermelho, o decote. “Mas ela estava sozinha”, “estava bêbada”, “estava drogada”, “estava no lugar errado”, “estava dando em cima do cara”, “estava pedindo”. Não seria desumano usar esses mesmos argumentos para “justificar” o porquê de um homem ter sido estuprado? Porque estava bêbado, drogado, sozinho, ou se estivesse dando em cima de uma mulher, etc.
O estupro é a expressão mais radical e mais dramática desse sentimento de superioridade. Será sempre muito complexo combater o estupro enquanto homens se julgarem superiores às mulheres. A cultura do estupro seguirá firme enquanto acharmos que falar mal de machismo é “mimimi”. Enquanto continuarmos tratando o respeito à mulher como uma luta feminista e não da humanidade. Enquanto acharmos que igualdade de gênero se refere exclusivamente aos direitos das mulheres e não aos direitos de todos nós.
http://politike.cartacapital.com.br/a-cultura-do-estupro-e-a-expressao-mais-radical-da-cultura-da-superioridade/

terça-feira, maio 31, 2016

O que estamos fazendo com nossas crianças?

Em novembro de 2015 estive nos EUA a convite do Google para falar de um projeto que fiz e apresentei em Brasília. Lá na Califórnia conheci uma professora aposentada, francesa, que viaja pelo mundo desfrutando de sua merecida aposentadoria e conversando sobre nossas culturas e da cultura americana, ela me chamou a atenção para um fato atual, real e que merece destaque: a forma como nós todos cobramos, exigimos sucesso de nossas crianças.

Quando voltei escrevi e publiquei um texto aqui no blog e continuei lendo sobre o tema.Recentemente encontrei um trabalho de um jornalista britânico que alerta sobre este mesmo problema e compartilho. Vale a leitura.
Eu sou Clarice, mas todos me conhecem por Clara Santos - Jornalista

A vida das crianças de classe média e alta do mundo inteiro não tem sido confortável. Com a pressão para se destacar entre os colegas, tirar notas altas, fazer diversas atividades extracurriculares, entrar nas melhores faculdades e conseguir os melhores empregos, os jovens hoje sofrem com o fenômeno que o jornalista britânico Carl Honoré descreve como "hyperparenting " ou como poderíamos traduzir, os "hiperpais", que encaram cada vez mais a vida dos filhos como um plano de metas, traçando estratégias e caminhos e lhes subtraindo o potencial para que se desenvolvam de forma independente. "A educação dos filhos não deve ser um cruzamento entre um esporte competitivo e o desenvolvimento de um produto.Não é um projeto, é uma viagem", observa Honoré, autor do livro Sob pressão (Record, 368 págs., R$ 49,90), lançado no Brasil neste ano.

Na obra, o britânico discute as consequências da alta pressão colocada pelas escolas, professores e pais nas crianças, que têm crescido com menos liberdade para fazer as próprias 
escolhas - o que acaba sendo um tiro no pé, pois se tornam adultos pouco criativos e muito dependentes, além de perder a infância e a chance de trilhar os próprios caminhos. "As crianças precisam esforçar-se, lutar e se superar, mas isso não significa que a infância deva ser uma corrida. Elas precisam de tempo e espaço para explorar o mundo em seus próprios termos, e é o papel dos pais manter um cronograma familiar sob controle para que todos tenham tempo ocioso suficiente para descansar, refletir e simplesmente ficar junto", afirma.

Honoré decidiu escrever o livro depois de uma reunião na escola do filho, na qual foi informado pela professora de artes plásticas de que ele "tinha um dom". Dormiu com planos na cabeça de como desenvolver o talento do pequeno, contratar um tutor e torná-lo o próximo Picasso, quando ouviu: "Papai, eu não quero um tutor, eu só quero desenhar. Por que os adultos sempre têm de assumir tudo?". "Então comecei a pensar como é fácil se deixar levar e acabar sequestrando a vida dos filhos", conta. 

Honoré mantém laços profundos com o Brasil: a inspiração para seguir a carreira de jornalista veio depois de um intercâmbio feito no país, quando trabalhou com crianças de rua em Fortaleza. "Ter qualquer criança vivendo nas ruas é algo ruim. Você julga uma sociedade pela forma como trata os seus fracos e desfavorecidos - e, nesse aspecto, o Brasil poderia ser muito melhor do que é." Na entrevista a seguir, à repórter Carmen Guerreiro , ele discorre sobre o papel da escola nesse cenário de alta pressão infantil.

As crianças sofrem apenas com a pressão de seus pais, ou também da escola? 
A pressão vem de todos os lados. Os pais se sentem pressionados a dar aos seus filhos o melhor de tudo e fazer deles os melhores em tudo - essa pressão obviamente se transfere para as próprias crianças. Mas os sistemas escolares também adicionaram mais pressão nos últimos anos por tentar fazer descer goela abaixo mais aprendizado acadêmico mais cedo e mais rápido. Assim, vemos crianças sob pressão para aprender a ler e escrever cada vez mais jovens. E depois há a obsessão com os exames, para que as crianças sejam testadas mais e mais até que as notas se tornem mais importantes do que a própria aprendizagem. É uma visão do século 19, de educação que prepara as pessoas para trabalhar em fábricas ou em empregos estúpidos de escritório. O mundo mudou e precisamos de pessoas mais criativas e flexíveis. Precisamos de uma revolução em nossas escolas.

As escolas também estão sob pressão dos pais? 
Toda a sociedade está mais preocupada com o sucesso acadêmico. Empresários e políticos exigem profissionais mais bem formados. Mas os pais também estão colocando muita pressão sobre as escolas. Estão desesperados para aumentar as chances de seus filhos na vida, por isso exigem um ambiente educacional e resultados perfeitos. É impressionante como os pais de todo o mundo agora vão às escolas para se queixar quando o seu filho não está no topo da classe. Conheço um casal que tirou seu filho de uma escola primária de Londres quando o professor se recusou a incluir a criança no programa de alunos superdotados. Os pais estavam convencidos de que seu filho era o próximo Einstein.

Mas as escolas não estão exigindo demais dos alunos e considerando o insucesso escolar como um fracasso da vida? 
Sim. Em muitos países, agora, as escolas são ranqueadas como clubes de futebol e a competição para obter pontuações elevadas nos exames é feroz. Tenho visto isso com meus próprios filhos. No ano passado, meu filho passou meses só revisando para os exames vestibulares nacionais (ele tinha 11 anos e estava no 7º ano do ensino fundamental). Esses exames não afetam particularmente o seu futuro, mas são a única medida de sucesso para a escola - então as crianças estavam sob intensa pressão para se sair bem. Foi cansativo e chato para eles.

O que os professores podem fazer para mudar esse quadro? 
Os professores estão na linha de frente na batalha contra os hiperpais. Podem reforçá-los ou combatê-los. A boa notícia é que, em todo o mundo, mais e mais sistemas de ensino e cada vez mais professores individualmente estão tomando medidas para reduzir a pressão. É por isso que algumas culturas do Extremo Oriente estão se afastando desse modelo ao cortar horas de aula, lição de casa e a ênfase na avaliação. E é por isso que as crianças na Finlândia, que começam a escola aos sete anos, fazem menos exames, passam menos horas em sala de aula e fazem menos lição de casa do que seus pares em outras partes do mundo, e o país se tornou o queridinho da educação internacional. Mesmo quando um professor está preso em um sistema de alta pressão pode tentar permitir que cada criança aprenda em seu próprio ritmo. Visitei recentemente a escola South Devon Steiner, no sudoeste da Inglaterra, e fiquei impressionado com sua insistência sobre a adaptação aos ritmos de aprendizagem de cada criança - e eles obtêm excelentes resultados. O modelo de educação de Reggio Emilia, na Itália, também é um exemplo brilhante de como desencadear a curiosidade das crianças e sua capacidade de aprender honrando os seus ritmos.

Esse fenômeno de pressão sobre as crianças difere entre países? Ele se aplica à realidade brasileira? 
Vejo as mesmas pressões em países em desenvolvimento ou desenvolvidos. O mundo foi globalizado e as tendências sociais e culturais convergiram. Mas uma diferença é a escala: no mundo em desenvolvimento, hyperparenting ainda é amplamente encontrado apenas na pequena (mas influente) classe média.

Então os hiperpais existem apenas nas famílias mais ricas? 
Principalmente, porque elas têm expectativas mais elevadas e dinheiro para persegui-las. Mas o fenômeno afeta a todos, pois os sistemas de ensino estão cada vez mais sob maior pressão. Quando transformamos a infância em uma corrida, minamos a solidariedade social. Quanto mais as pessoas se tornam obcecadas com o sucesso de seus próprios filhos, menos se preocupam com o bem-estar dos filhos de outras pessoas. E isso é um perigo real, especialmente em uma sociedade como a brasileira, já muito polarizada.

Quais são as consequências desse processo para as crianças?
Podem acabar sendo menos criativas. Elas não têm o tempo ou o espaço para explorar o mundo em seus próprios termos, para aprender a correr riscos e errar. Não aprendem a pensar por si mesmas, apenas fazem o que lhes é dito. Também não aprendem a olhar para dentro de si mesmas e descobrir quem são, porque estão ocupadas tentando ser o que nós queremos que elas sejam. Então nunca crescem. E não aprendem a preencher o tempo por conta própria, por isso ficam entediadas com mais facilidade. Toda essa pressão para ser perfeito e obter a maior nota também está elevando a taxa de estresse e problemas de saúde mental entre os jovens. Pressão demais também tem matado a simples alegria de ser criança - o que [o poeta inglês] William Blake (1757-1827) chamou "ver um mundo num grão de areia... segurar o infinito na palma da sua mão". Transformamos a infância em uma corrida e tiramos muito da sua magia.

Qual sua opinião sobre as escolas de tempo integral? 
É bom que uma escola ofereça o acesso dos estudantes pobres a atividades que não poderiam pagar de outra forma. Mas você tem de ter certeza de que a agenda das crianças não vai longe demais. Dentro do horário escolar e, depois, é preciso ter certeza de que elas têm tempo livre para descansar, refletir e brincar como quiserem. Brincar é muito importante. A brincadeira livre, quando as crianças deixam a imaginação solta e se envolvem em um jogo sem adultos controlando tudo. Esse tipo de brincadeira é crucial para o desenvolvimento do cérebro, ensina habilidades sociais e estimula a criatividade - ambas essenciais para se destacar na escola.

A lição de casa é um elemento a  mais de pressão? 
Lição de casa não é um mal em si mesmo, apenas se as crianças têm tanta lição que não há tempo suficiente para descansar ou brincar. Ou se o dever de casa não consegue exercitar a sua imaginação ou aprofundar seu aprendizado. A maioria das pesquisas sugere que a lição de casa tem valor limitado para crianças de até cerca de 11 anos de idade, então deve ser reduzida ao mínimo. Depois deve envolver a imaginação e obrigar a pensar sobre o que aprenderam na escola sob um novo prisma, ou colocar esse conhecimento em prática. Apenas fazê-los memorizar e repetir a informação é limitado.

Como vê o contraste entre crianças de rua e as de classe média alta no que diz respeito às pressões da vida? 
Ambas estão sob imensa pressão. A criança que sofre com o hyperparenting está sob pressão para ser perfeita, para ser uma "superstar" em tudo o que faz. A criança de rua está sob pressão para se manter viva no mundo violento, onde sua vida recebe pouco valor. Mas todos sofrem com a pressão, porque uma família de classe média alta que está submetendo seus filhos aohyperparenting vai gastar muito menos tempo e energia se preocupando com o bem-estar das crianças de rua. Vão ver essas crianças apenas como uma ameaça para a vida perfeita que estão tentando construir para seus filhos. Há uma ironia aqui. De certa forma, as crianças de rua têm mais liberdade do que crianças de classe média alta porque hyperparenting significa que todas as suas vidas estão programadas, monitoradas e controladas.

Como vê essa questão no Brasil? 
As crianças de rua com quem trabalhei tinham muito tempo livre, nenhum adulto lhes dizia o que fazer. E elas eram resistentes, criativas e autossuficientes. Eram capazes de se virar sozinhas, podiam brincar, fazer sua própria diversão. Em vez de olhar para outras pessoas para pedir ajuda o tempo todo, resolviam seus problemas. São habilidades que o hyperparenting pode negar às crianças. Não estou sugerindo que pais ricos brasileiros mandem seus filhos mendigar nas ruas! A maioria das crianças de rua é o contrário do hyperparenting : precisam de mais amor e carinho, segurança, conforto material, educação formal e estrutura. Só que talvez as famílias ricas possam aprender algo sobre o valor do tempo livre e da independência a partir da vida das crianças pobres no Brasil.

sexta-feira, maio 27, 2016

Classe artística se revolta e fala sobre a violência contra a mulher

"Sangue no olho" de raiva de todo este machismo que existe pelo mundo afora, que variam as formas, as vezes sutis, tácitas, com piadinhas, propostas indiretas, os estereótipos ignorantes de achar que a realização da mulher só pode acontecer de uma forma, ou que uma mulher, se estiver solteira precisa de companhia, dentre outros e as formas mais brutais, horrendas, desprezíveis como o estupro, a violência física e verbal, o assedio e outras tantas formas. O que também me choca e me deixa com "sangue no olho" são os comentários, de homens e mulheres, diga-se de passagem, culpando a vítima. Chega! Basta! Denuncie! (Clara Santos)

O caso do estupro coletivo de uma jovem de apenas 16 anos que chocou o Brasil nesta semana e reacendeu muitas discussões sobre a violência contra a mulher.

Os atores Alexandre Nero e Fabio Porchat aderiram à campanha "homens contra a cultura do estupro".

"Estou fora do Brasil a trabalho e soube o trágico ocorrido da garota que foi brutalmente violentada. Como se o ato, por si só, já não bastasse a nossa indignação, ainda vem com a assustadora notícia medieval de 30/33 homens envolvidos no estupro. Soube disso ontem de manhã. Não me pronunciei por um motivo: vergonha. É isso! A mais sincera coisa a dizer é que fiquei com vergonha", falou Nero em seu perfil no Facebook.

O humorista, que também divulgou a imagem, disse: "Que triste ter que aderir a esse movimento em 2016".

A vítima também fez uma publicação e revelou que acreditava que seria “julgada mal”, mas percebeu que não foi.  "Não, não dói o útero e sim a alma por existirem pessoas cruéis sendo (sic) impunes!! Obrigada ao apoio (sic)", escreveu a adolescente. Leia mais sobre o caso!

Outros famosos também fizeram posts nas redes sociais comentando a indignação sobre o crime:

Fernanda Paes Leme

Não tem como explicar o que tem não explicação. 30 homens x 1 mina?! Vamos gritar mulherada! Vamos dar as mãos!

Marília Gabriela

Uma menina de 16 anos, saindo do hospital com a mãe. Ela foi vítima de um estupro coletivo. E agora? Você lê a notícia e faz o que com o resto do seu feriado? E com sua revolta, a dor de estômago, de que maneira estanca suas lágrimas e tira o nó doído da garganta? Sobre a condição feminina, você pensa o quê? E a vergonha, a sensação de desamparo, essa consciência coletiva de que fomos todos estuprados, mulheres e homens, em plena sociedade no século 21, o que fazer com ela? O horror, o horror...

Nathalia Dill

Pelo amor de Deus! Isso tem que parar! A brutalidade contra a mulher não pode mais ser banalizada! 30 homens... Como assim? A revolta é muito grande! #Luto.

Camila Pitanga

Sufocada, consternada e muito triste com os casos de estupros coletivos ontem no Rio de Janeiro e no Piauí.

Sonia Abrão

A cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. E essa imagem simboliza toda a indignação contra o machismo e sua violência. É também um grito de solidariedade à garota estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro. Essa luta continua! Estamos juntas! Compartilhem!

Gaby Amarantos

Lembro de quando eu era criança, sempre haviam casos de estupro coletivo e lembro também que a MULHER/VÍTIMA ainda era tratada como culpada, lembro de expressões do tipo "quem manda andar de roupa curta" ou "mas ela provocou" e outras barbaridades. Lembro de crescer em meio ao medo de ser abusada e de ser policiada a ter um comportamento neutro a fim de evitar chamar atenção dos homens. Na periferia isso é algo tão comum infelizmente, podia ser um parente, vizinho ou um desconhecido. Mas eu escolhi lutar e meu papel é criar meu menino para tratar as mulheres e todas as pessoas com respeito e amor. Não temos que criar mulheres para ñ serem estupradas e sim criar homens para não serem estupradores. Estou chocada, quero justiça e uma sociedade igualitária!